A História Concisa da Literatura Alemã – Otto Maria Carpeaux

POR MOTIVOS DAHISTÓRIA geográfico-política e por motivos da história da
língua, a literatura alemã não é um organismo inequivocamente homogêneo
como as literaturas de outras nações. É necessário defini-la. A definição só pode
ser esta: a literatura alemã é a literatura escrita em língua alemã. Parece um
truísmo. Mas não é. A definição precisa ser interpretada.
A Alemanha nunca teve fronteiras certas. Na Europa oriental, grupos
compactos de língua alemã vivem em países que nunca pertenceram à
Alemanha. Também nas fronteiras ocidentais e mediterrâneas, o território da
língua alemã é muito maior que o da sua estrutura política: basta lembrar a
Áustria, a parte alemã da Suíça e a Alsácia. A literatura alemã não é, portanto,
somente a dos alemães na Alemanha. Também inclui as atividades literárias na
Áustria, Suíça e Alsácia e dos alemães no Báltico; e de certos quistos de língua
alemã encravados em outros países; basta lembrar a Praga de Rilke e Kafka.
Em todas as regiões de língua alemã, dentro e fora da Alemanha, falam-se
dialetos mais ou menos diferentes da língua literária: o dialeto austríaco, o
Schwyzerdütsch na Suíça, o Platt no Norte da Alemanha, etc. Esses dialetos
também foram empregados para criar neles obras literárias. Nem sempre têm
alta categoria. Mas as obras de um Raimund e Nestroy em dialeto austríaco e as
de um Fritz Reuter no Platt da Alemanha do Norte não podem ser omitidas em
nenhuma história da literatura alemã.