Em Busca de Wondla – Tony Diterlizzi

Eva Nove estava morrendo. Os minúsculos pontos escarlate em sua mão lembravam os olhos
encolerizados da cobra que acabara de picá-la.
Sentada no chão coberto de pequenas pinhas e agulhas de pinheiro, ela sentiu a espiral azeda da
ânsia de vômito subir do estômago até a garganta.
Deixou cair o punhado de musgos, agora molhados de suor, que havia colhido do solo da floresta.
— Lenha — instruíra-lhe o Onipod horas antes, com seu jeito animado. — Encontre objetos
inflamáveis, como galhos secos, gravetos ou musgos, e use-os para acender uma fogueira.
O grande aglomerado de rochas que Eva havia encontrado lhe parecera o local perfeito para
construir um abrigo e passar a noite, e o terreno ao redor era coberto por tufos de musgos acinzentados.
Ao se abaixar para colher um punhado deles, Eva notara que, estirada bem a seu lado, havia uma cobra
marrom-avermelhada cheia de pintas banhando-se no fraco sol do entardecer. O problema foi tê-la
percebido tarde demais para evitar a picada.
Agora, com as mãos trêmulas, Eva remexia em sua bolsa surrada à procura do Onipod. O aparelho
portátil metálico era achatado como uma lupa e tinha, bem no centro, um pequeno orifício circular
parecido com um olho. O coração de Eva batia forte, como se tentasse sair do peito. Ela engoliu em
seco, interrompendo o ritmo frenético da respiração. O emblema na manga de sua túnica apagou e
acendeu em sinal de advertência.