Ilíada e Odisseia – Homero

Surgidas nos primórdios da literatura europeia, a Ilíada e a Odisseia ainda conservam todo o
seu frescor primitivo, como se os milênios, muito longe de ofuscar-lhes o brilho, só
contribuíssem para exaltar-lhes a beleza intrínseca. Encheria bibliotecas o que se tem
escrito sobre esses poemas tão justamente famosos, que, por sua maneira decisiva,
exerceram influência nas grandes literaturas que se formaram sob o estímulo benéfico do
pensamento grego. Sobre o valor da poesia e de sua importância social ninguém falou
melhor do que o próprio Homero, quando insistentemente promete a seus heróis a
imortalidade que lhes assegurava a arte divina. Tão grande é a consciência de seu valor, ou,
digamos, de sua missão, que chega a declarar que só aconteceram tantas calamidades — a
Guerra de Troia, o entrechoque de dois continentes, a morte de tantos heróis — para que
ele as fixasse em seus versos imorredouros. É o que também Helena declara, com os olhos
na posteridade, com relação ao seu destino e ao de Páris, causa mais próxima das
calamidades que afligiam Troia:
Triste destino Zeus grande nos deu, para que nos celebrem,
nas gerações porvindoiras, os cantos excelsos dos vates.