Loney – Andrew Michael Hurley

Sem dúvida tinha sido um fim tempestuoso para o outono. Em Heath, um
vendaval havia arruinado o glorioso esplendor de cores de Kenwood a
Parliament Hill em questão de horas, deixando um rastro de carvalhos velhos e
faias mortas. Seguiram-se a névoa e o silêncio, e depois, após alguns dias, restou
somente o cheiro de podridão e fogueiras.
Certa tarde, passei tanto tempo lá com meu caderno anotando tudo que tinha
vindo abaixo que perdi a minha sessão com o dr. Baxter. Ele disse para eu não me
preocupar. Nem com a consulta nem com as árvores. Tanto ele como a natureza
se recuperariam. As coisas nunca eram tão ruins quanto pareciam ser.
Creio que ele tinha razão em certo sentido. A punição até que não fora tão
severa. No norte, linhas férreas ficaram submersas e vilarejos inteiros foram
alagados com a água barrenta dos rios. Havia fotografias de gente tirando água
de suas salas de estar, gado morto boiando em uma avenida radial. Depois, mais
recentemente, a notícia sobre o súbito deslizamento de terra em Coldbarrow, e a
criança que tinham encontrado soterrada com a velha casa ao pé dos
despenhadeiros.
Coldbarrow. Aí estava um nome que eu já não escutava havia um bocado de
tempo. Trinta anos. Ninguém que eu conhecesse o mencionava mais, e eu tinha
feito um tremendo esforço para esquecê-lo. No entanto, suponho que eu sempre
soube que o que ocorrera lá não permaneceria oculto para sempre, por mais que
eu quisesse.
Eu me deitei na cama e pensei em ligar para Hanny, curioso em saber se ele
também soubera da notícia e se ela significava alguma coisa para ele. A bem da
verdade, eu jamais lhe havia perguntado que lembrança ele tinha do lugar. Mas o
que eu diria, por onde começaria, isso eu não sabia. E, de qualquer forma, ele
era um homem difícil de se entrar em contato. A igreja o mantinha tão ocupado
que ele estava sempre atendendo aos velhos e enfermos, ou cumprindo suas
atribuições em alguma comissão. Eu não podia apenas deixar um recado, não
sobre aquilo.