Moderna Gramática Portuguesa – Evanildo Bechara

A língua portuguesa é a continuação ininterrupta, no tempo e no espaço, do latim levado à
Península Ibérica pela expansão do império romano, no início do séc. III a.C., particularmente
no processo de romanização dos povos do oeste e noroeste (lusitanos e galaicos), processo
que encontrou tenaz resistência dos habitantes originários dessas regiões.
Depois do processo de romanização, sofreu a Península a invasão dos bárbaros
germânicos, em diversos momentos e com diversidade de influências, que muito contribuíram
para a fragmentação linguística da Hispânia: em 409 foi a vez dos alanos, vândalos e suevos;
em 416, dos visigodos. Deste contacto encontramos como resultado a visível influência
germânica, especialmente dos visigodos, no léxico e na onomástica.
No século VIII, em 711, voltou a Península a ser invadida pelos árabes, consumando a série
de fatores externos que viriam a explicar a diferenciação linguística do português no mosaico
dialetal que hoje conhecemos; apesar do largo contributo na cultura e na língua –
especialmente no léxico –, a permanência muçulmana não teve força suficiente para apagar as
indeléveis marcas de romanidade das línguas peninsulares.