Os Estabelecidos e os Outsiders – Norbert Elias

Os estabelecidos e os outsiders foi publicado pela primeira vez em 1965. Nasceu de um
estudo realizado numa comunidade próxima de Leicester, no fim da década de 1950 e início
da de 1960, por John Scotson, um professor da região que estava interessado na delinqüência
juvenil. Nas mãos de Norbert Elias, porém, esse estudo circunscrito foi reelaborado de
maneira a esclarecer processos sociais de alcance geral na sociedade humana — inclusive a
maneira como um grupo de pessoas é capaz de monopolizar as oportunidades de poder e
utilizá-las para marginalizar e estigmatizar membros de outro grupo muito semelhante (por
exemplo, através do poderoso instrumento da fofoca), e a maneira como isso é vivenciado nas
“imagens de nós” de ambos os grupos, em suas auto-imagens coletivas.
Dez anos depois, Elias ditou, em inglês, uma longa introdução inédita para a tradução
holandesa do livro. Esse “Ensaio teórico sobre as relações entre estabelecidos e outsiders”
esclareceu como era possível aplicar sua teoria a toda uma gama de padrões mutáveis da
desigualdade humana: relações entre classes, grupos étnicos, colonizadores e colonizados,
homens e mulheres, pais e filhos, homossexuais e heterossexuais. Durante muitos anos, supôs-
se que algumas partes do texto em inglês desse importante ensaio se houvessem perdido, mas
elas foram encontradas em 1994 e a versão final foi montada por mim e por Saskia Visser. O
ensaio é publicado pela primeira vez neste volume, exatamente como Elias o ditou, exceto por
ligeiras mudanças editoriais. Pouco antes de morrer, em 1990, Elias acrescentou, para a
edição alemã do livro, um pequeno posfácio sobre um livro de Harper Lee, To Kill a Mocking
Bird [incluído igualmente nesta edição brasileira].