Só Se Morre Duas Vezes – Christopher Smith

No começo, tudo que ela percebia era uma umidade gelada contra
a bochecha e clarões de luz ao longo da visão periférica. Conseguia
ouvir alguém falando com ela, um homem, mas não conseguia
entender o que ele dizia.
Ela sentiu o corpo sendo sacudido. Chutado. Socado.
A cabeça doía.
Havia sangue na boca. E mais alguma coisa. Alguma coisa espessa
e redonda, que dificultava a respiração.
A perna esquerda começou a se contrair.
Os flashes de luz continuaram até que a dor na cabeça ficou forte
demais para que aguentasse.
Alguma coisa foi colocada em sua mão direita. Ela sentiu os dedos
sendo fechados em torno do objeto e, de alguma forma, ele foi
preso à mão.
Ela ficou imaginando o que seria. Onde estaria. Tinha morrido
novamente? Ou estava prestes a morrer de novo?
Ela sabia tudo sobre a morte.
Já a enfrentara antes e caíra bem fundo no poço da morte.
Estava lá novamente?
Ela desmaiou e foi em direção à sua luz particular.