Todas as Coisas Belas – Matthew Quick

No último dia de aula antes do recesso de Natal do penúltimo ano do ensino
médio, fui à sala do sr. raves durante o intervalo de almoço e o encontrei
tomado pelo espírito natalino, sorrindo bem mais que de costume. azia alguns
meses que comíamos sozinhos ali. Naquele dia, ele me trouxera alguns biscoitos
italianos que a esposa fizera para mim, o que me levou a imaginar o que o sr.
raves andaria contando a ela. Os biscoitos pareciam flocos de neve gigantes e
tinham gosto de alcaçuz preto. Cada um de nós comeu um, e depois o sr. raves
me entregou uma caixa pequena embrulhada em papel de presente azul com
minúsculas renas brancas de chifres imensos. Eu nunca tinha recebido um
presente de um professor. Senti que era um momento importante.

Só uma lembrancinha de alguém que também evita refeitórios disse ele, e sorriu.
Rasguei o papel de presente.
Na caixa havia um livro intitulado O ceifador de chicletes, de Nigel ooker. As
páginas estavam amareladas e a capa havia sido remendada com fita adesiva.
Tinha o cheiro de uma barraca de camping velha que tivesse ficado guardada
ainda ligeiramente úmida por cinquenta anos. Na capa de fundo branco via-se a
imagem da Morte com sua grande foice, só que a lâmina curva era feita de
chicletes coloridos como se dispostos sobre mármore branco. Era uma
imagem inegavelmente estranha. Assustadora e instigante ao mesmo tempo.
Abri na primeira página.
A dedicatória era “Para o clube de tiro com arco.”
Bizarro, pensei.
olheando depressa as páginas de pontas dobradas, notei centenas de trechos
sublinhados.